segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Donos da Verdade são Como Cegos


Sete sábios, cada um de uma religião, discutiam qual deles conhecia, realmente, a verdade. Um rei muito sábio que observava a discussão aproximou-se e perguntou:
- O que vocês estão discutindo?
- Estamos tentando descobrir qual de nós é dono da verdade.

Ao escutar isso, o rei, imediatamente, pediu a um de seus servos que levasse sete cegos e um elefante até o seu castelo. Quando os cegos e o elefante chegaram ao palácio, o rei mandou chamar os sete sábios e pediu-lhes que observassem o que aconteceria a seguir.
O sábio rei pediu aos cegos que tocassem o elefante e o descrevessem, um de cada vez.

O primeiro cego tocou a tromba do elefante e disse:
– É comprido, parece uma serpente.
O segundo tocou-o no dente e disse:
– É duro, parece uma pedra.
O terceiro segurou-lhe o rabo e disse:
– É cheio de cordinhas.
O quarto pegou na orelha e disse:
– Parece um couro bem grosso.
E assim, sucessivamente, cada cego descreveu o elefante de acordo com a parte dele que estava tocando. Quando todos terminaram de descrever o animal, o rei perguntou aos sete sábios:

– Algum desses cegos mentiu?
– Não! – responderam os sábios em coro – Todos falaram a verdade.
Então, o rei perguntou:

– Mas algum deles disse realmente o que é um elefante?
– Não, nenhum cego disse o que é um elefante, mesmo porque cada um tocou apenas uma parte dele – disse um dos sábios.

Então, concluiu o rei: 

– Vocês, sábios, que estão discutindo quem é dono da verdade, parecem cegos. Todos estão falando a verdade, mas, como os sete cegos, cada um se refere apenas a uma parte dela. Ninguém é dono da verdade, porque ninguém a detém por inteiro.

Fonte: https://osegredo.com.br/ninguem-e-dono-da-verdade/

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Os Sons do Silêncio


Um rei mandou seu filho estudar no templo de um sábio mestre com o objetivo de prepará-lo para ser um grande líder. Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, e descrever todos os sons da floresta.

Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então disse o príncipe: "Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..." E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse à floresta para ouvir tudo o mais que fosse possível.

Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando: "Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."

Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguia distinguir nada além daquilo que já havia relatado ao mestre. Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E, quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou: - "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..." E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo.

Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir. Paciente e respeitosamente, o príncipe falou: "Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e o da grama bebendo o orvalho da noite...

Sorrindo, o mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse: 

"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma pessoa importante. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um”. E acrescentou: 

"A morte de uma relação começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais. É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado,mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano..."

domingo, 29 de abril de 2018

Buda e o Conceito de Deus


Uma vez aconteceu: Buddha entrou numa aldeia e um homem perguntou-lhe:
“Deus existe?”.
Buddha responde:
“Não, absolutamente”. À tarde, outro homem surgiu e perguntou:
“Deus existe?” Buddha respondeu: ...
“Sim, absolutamente”.
À noite, veio outro homem que lhe perguntou: “Deus existe?” Buddha encerrou os olhos e ficou em profundo silêncio...
O homem também fechou os olhos. Algo surgiu daquele silêncio. Após alguns minutos o homem tocou nos pés de Buddha, fez-lhe uma vênia, prestou o seu respeito e disse: “Foste o primeiro que respondeu à minha pergunta”.

O discípulo de Buddha, Ananda, ficou confuso: “De manhã ele disse não, à tarde disse sim, e à noite não respondeu de todo... Qual é o problema? Qual é a verdade realmente?” Quando Buddha se ia deitar, Ananda disse: “Primeiro responde-me senão não vou conseguir dormir...Tens que ser um pouco mais compassivo comigo – estive contigo todo o dia. Estas três pessoas não sabem sobre as outras respostas, mas eu ouvi-as. Então e eu? Estou confuso..."

Buddha respondeu: “Eu não estava a falar contigo...Tu não perguntaste e eu não TE respondi...O primeiro homem era crente, o segundo ateu, e o terceiro agnóstico... A minha resposta não teve nada a ver com Deus, teve que ver com o questionador. À pessoa que acreditava em Deus eu respondi 'não', porque eu queria que desistisse da ideia que tem de Deus – que é emprestada... Ele ainda não o experienciou senão não tinha perguntado...

A pessoa que acreditava em Deus estava a tentar confirmar as suas crenças... Eu não lhe ia dizer que sim... Não vou confirmar as crenças de quem quer que seja... Tive que lhe destruir as crenças, porque as crenças são barreiras para a verdade. Crentes ou ateus, hindus, cristãos ou muçulmanos, todos os sistemas de crenças são barreiras...

A pessoa com quem fiquei em silêncio foi o verdadeiro inquisidor... Ele não tinha crenças, por isso não havia necessidade de destruir o que quer que fosse... Mantive o silêncio. Foi a minha mensagem para ele: fica em silêncio e descobre... Não perguntes, não há necessidade de perguntar... Não é uma questão que possa ser respondida... Não é um inquérito; é uma busca... Também lhe respondi através do meu silêncio, que ele seguiu de imediato... Eu fechei os olhos, ele fechou os olhos. Eu olhei para dentro, ele olhou para dentro e depois algo surgiu... Foi por isso que ele ficou tão assoberbado e sentiu tanta gratidão – eu não lhe dei uma resposta intelectual...Ele não vinha à procura de respostas intelectuais, estas estão sempre disponíveis a baixo preço... Ele procurava algo existencial, ele precisava de provar...E provou... 

A Meditação também é assim:
silenciar a mente e tornar-se uno...


(Em homenagem ao Festival Wesak, que celebra hoje a iluminação de Buda)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A Paz é Agora


Contam os mestres que, certa vez, um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e enclausurado numa masmorra.

Aterrorizado com as imagens do que se seguiria no dia seguinte, o guerreiro não conseguia dormir. Sua mente foi tomada por cenas de interrogatório, tortura e execução.

Foi então que lembrou-se das sábias palavras do seu mestre Zen:

"O 'amanhã' é uma ilusão... o 'amanhã' não é real. A única realidade existente é o 'agora'. O homem sofre por ignorar este ensinamento."

Como um raio de luz, o ensinamento do mestre iluminou sua mente, fazendo-o compreender o sentido amplo daquelas palavras.

O guerreiro ficou em paz e dormiu tranquilamente.

(Conto zen, em homenagem ao Dia Internacional da Paz)

domingo, 15 de outubro de 2017

Quando o Discípulo Supera o Mestre

Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:

“Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo.”

O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:

“Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro.”

O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:

“Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!”

O outro apenas disse:

“Está bem, dê-me o livro.”

Ao recebê-lo, o discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. O
professor ficou chocado. Gritou para o aluno, indignado:

“Como pôde fazer isso?! Era uma peça inestimável de conhecimento!”

Foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:

“Como podes dar mais valor a papel e couro do que àquilo que me ensinastes diretamente, de forma pura? Ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. Tu me deste um objeto, e eu usufrui dele como considerei adequado. Como podes ficar indignado com um simples ‘dar e receber’?"

https://anovamente.wordpress.com/2017/08/17/conto-zen-dar-e-receber/

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Como Mudar O Mundo

Conto para o Dia das Crianças:

Era uma vez um cientista que vivia preocupado com os problemas do mundo e decidido a encontrar meios de melhorá-los. Passava dias e dias no seu laboratório à procura de respostas.

Um dia, o seu filho de sete anos invadiu o seu santuário querendo ajudar o pai a trabalhar. Claro que o cientista não queria ser interrompido e, por isso, tentou que o filho fosse brincar em vez de ficar ali a atrapalhá-lo. Mas como o menino era persistente, o pai teve de arranjar forma de entretê-lo, ali mesmo no laboratório. Foi então que reparou num mapa do mundo que vinha numa página de uma revista. Lembrou-se de cortar o mapa em vários pedaços e depois apresentou o desafio ao pequenote:

- Filho, vais ajudar-me a consertar o mundo! Aqui está o mundo todo partido. E tu vais arranjá-lo para que ele fique bem outra vez! Quando terminares chamas-me, ok?

O cientista estava convencido que a criança levaria dias a resolver o quebra-cabeças que ele tinha construído. Mas surpreendentemente, poucas horas depois, o filho já chamava por ele:

- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui consertar o mundo!

O pai não queria acreditar, achava que era impossível um miúdo daquela idade ter conseguido montar o quebra-cabeças de uma imagem que ele nunca tinha visto antes. Por isso, apenas levantou os olhos dos seus cálculos para ver o trabalho do filho que, pensava ele, não era mais do que um disparate digno de uma criança daquela idade. Porém, quando viu o mapa completamente montado, sem nenhum erro, perguntou ao filho como é que ele tinha conseguido sem nunca ter visto um mapa do mundo anteriormente.

- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando tiraste o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando me deste o mundo para eu consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os pedaços de papel ao contrário e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que tinha consertado o mundo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Conto Dia Mundial dos Animais

O monge e os Coelhos

Em uma colina, havia dois monges sentados. Era uma região pacífica perto do monastério onde moravam aqueles monges e haviam sempre coelhos por lá. Alguns coelhos haviam aparecido e aparentavam estar muito interessados em brincar com um daqueles dois monges. Mas perto de um deles dois, não havia aparecido coelho algum. Logo, esse monge perguntou ao outro:

- Isso é surpreendente! Você só pode ser um santo… Todos esses coelhos estão caminhando por entre suas pernas, brincando com você… Mas eles parecem fugir de mim. Qual é o segredo que você esconde?

- Não há segredo algum, eu devo lhe dizer – respondeu o monge – Eu simplesmente não como os coelhos…